16. Jul, 2018

Corvina Assada no Forno com Batatinhas -

Muito do melhor peixe e marisco Português é para exportação. O poder de compra dos portugueses não permite comprá-lo, o que nos obriga a importar peixe mais barato e de menor qualidade. Não sei se haverá formas de inverter esta situação? Quando estava de férias no Algarve desloquei-me um dia às 5h da madrugada à lota de Vila Real de Santo António, fora vi que já estavam estacionadas várias carrinhas. As matrículas e nomes das empresas eram todas espanholas. Para quem não conhece esta região, vos indico que estamos a poucos km de Ayamonte cidade da província de Huelva em  Espanha, o que ajuda a explicar o elevado número de compradores espanhóis. Mas não explica o facto de eu não haver detectado um único comprador português. Vejo que o marisco vai entrando, em caixas cheias de gelo, e os homens tentam afastar o sono com um pequeno-almoço no pequeno café ao lado da lota. Daí a pouco começará o leilão, com a pescaria de cada barco a desfilar, e os compradores a assinalarem a compra assim que o preço atinge o valor que consideram justo (o leilão é decrescente e o preço vai baixando até alguém carregar no botão, assegurando a compra). Pergunto aos frequentadores habituais da lota por que é não se vêem portugueses a comprar, e a resposta é sempre a mesma: porque não têm poder de compra para este tipo de marisco.

Então eu pergunto-me a mim mesmo: Significa isto que Portugal tem muito bom peixe, e muito bom marisco, mas que grande parte dele destina-se à exportação? E que nos seus mercados e supermercados os portugueses compram, muitas vezes, peixe importado e de qualidade inferior, porque é mais barato? A resposta parece que esta clara: Sim! Tenho visto em varias ocasiões que existe uma campanha que promove o peixe português como "o melhor do mundo", e que se apoia na opinião de alguns dos mais prestigiados chefs internacionais, que dizem utilizar o peixe português nos seus restaurantes e não poupam elogios à sua qualidade. Tenho lido em alguns jornais Portugueses que em números redondos exportamos cerca de 200 mil toneladas e importamos cerca de 400 mil. O nosso consumo per capita é de 60 quilos anuais por pessoa e apenas um terço disso resulta das nossas capturas.Os números indicam que somos, de facto, grandes consumidores de peixe. Mas, em minha opinião, não consumimos peixe a mais. A verdade é que temos hábito de comer peixe, o que é excelente para a saúde. Temos é que compensar esse desejo recorrendo à importação de quantidades significativas de algumas espécies.  A pescada, que vem do Chile, América do Sul, África do Sul, Nova Zelândia, o polvo, lulas etc. de várias partes do mundo, o salmão, vindo, sobretudo da Noruega e algum do Chile e a dourada e robalo de países como a Espanha e da Grécia, a maior parte dele de produção intensiva. No passado, os portugueses iam pescar longe. As embarcações traziam bacalhau do Atlântico Norte, pescada da Mauritânia e da América do Sul, cefalópodes também das costas sul-americanas. Mas com a implantação do direito do mar, quando os países ribeirinhos passaram a ter acesso preferencial ao peixe das suas costas, perdemos a capacidade de pescar nessas zonas, por isso agora limitamo-nos a uma pesca na nossa zona económica exclusiva. E, com uma costa grande como a de Portugal, essa pesca permite a captura de excelente peixe.

O problema é que o nível económico do país não permite o consumo de todo o bom peixe que se pesca. Não sei se estamos a exportar todo o nosso melhor peixe, mas exportamos uma quantidade muito importante, que se destina a mercados com outra capacidade económica.O marisco que temos é bom, sobretudo na costa algarvia, mas tradicionalmente a melhor parte é adquirido pelos compradores espanhóis e comercializado em Espanha. Só protegemos o mar que nos dá pelos tornozelos. De onde vem então o marisco que consumimos nas marisqueiras portuguesas? Temos o caso da sapateira, muito apreciada em Portugal, que vem da Escócia e do Canal da Mancha, e, quando é congelada, vem de vários países, em particular da Irlanda. A mais-valia dos portugueses tem a ver com a forma como tratamos esses mariscos e peixes. Conseguimos transformá-los quase em ícones gastronómicos. Desde o tempo dos romanos que introduzimos na nossa dieta o consumo de peixe, e fomos refinando cada vez mais a prática gastronómica.

Corvina Assada no Forno com Batatinhas

Hoje vou introduzir um peixe que nos gostamos muito de cozinhar em nossa casa que é a corvina (Corvina legítima - Argyrosomus Regius) Esta espécie, se pesca por toda a nossa costa, é essencialmente carnívora tendo a tendência para aparecer em pequenos cardumes. Aguenta grandes diferenças de salinidade e, por essa mesma razão, podem ser encontrados exemplares de corvinas em estuários como o do Rio Tejo, em Lisboa ou no Rio Sado em Setúbal. Na pesca, as corvinas são uma das espécies mais procuradas por quem gosta de trabalhar com iscas naturais de fundo. A corvina-legítima, ou simplesmente corvina, é parecida na sua forma com um robalo, razão pela qual poderá, nos exemplares mais  pequenos, ser confundida. Mas é facilmente diferenciada, quer pela sua maior dimensão (nos maiores exemplares), quer pela disposição em diagonal das escamas dos flancos ou ainda pela sua linha lateral conspícua (que se prolonga até à barbatana caudal). Estas características particulares tornam os exemplares de corvina-legítima e robalo legítimo fáceis de distinguir. As corvinas vivem, preferencialmente, junto ao fundo, em solos arenosos ou de lama, até aos 100 metros de profundidade, mas é também habitual serem encontradas em cardume a circular grandes pedras. É comum que as corvinas apareçam em zonas de água salobra, como estuários e/ou braços de mar, principalmente na sua época de desova. Na pesca da corvina, no Rio Tejo, em Lisboa, são habitualmente pescadas corvinas entre os 2 e 30 kg, sendo a época mais forte entre a Primavera e Verão, quando entra no estuário para desovar. Pode ser encontrada por toda a costa portuguesa até ao Golfo da Gasconha. Para comunicar e para manter os exemplares de um cardume juntos, especialmente em águas muito turvas, as corvinas emitem um som semelhante a um ronco que pode até assustar os pescadores com menos experiência.

Considero-me uma pessoa preocupada com a comida ou aquilo que considero serem detalhes da comida, a frescura dos alimentos, as calorias, os índices de gordura, de sal quantidades de açúcar, controlo os rótulos de embalagens à procura de todas as características importantes. Em casa preocupo-me em servir refeições variadas e completas, confeccionadas com cuidado e ingredientes de qualidade, não levo essa preocupação a um nível obsessivo, mas sim prudente. Nesse contexto o peixe é uma constante cá por casa, não só porque tanto a Luísa como eu, adoramos, mas porque também os nossos convidados sempre perguntam “ Toni que peixinho vais preparar hoje”, mas porque estou convencido que é uma opção saudável. Sorte a nossa de termos uma costa imensa e maravilhosa, e termos à nossa disposição tantos e tão variados peixes! Todas as semanas, geralmente à Terça-feira, vou ao mercado do peixe da minha zona. Gosto de ir ver que  variedade peixe esta nas bancas, os preços etc. desta vez encontrei  corvina que tinha cerca de dois kg. Não é um peixe que compre com frequência, pois a maior parte das vezes encontra-se à venda em postas e cá por casa preferimos o peixe escalado. Mas esta semana tinham a corvina inteira, num tamanho ideal para nós e dois amigos que vinham jantar, e resolvi trazer uma. Pedi para a escalarem e prepararem para grelhar, mas a minha ideia era de prepará-la no forno. Ficou mesmo muito boa, é um peixe bem suculento, gostei muito da corvina assim escalada preparada no forno.

Ingredientes: 1kg Batatinhas para Assar, 1 Corvina não mais de dois kg, 3 dentes de Alho, 1 cebola media, 1 pimento vermelho, 2 tomates maduros, Flor de Sal, Tomilho, coentros, Azeite virgem extra, Vinagre de maça, ½ copo de vinho branco. Preparação: Cozem-se as batatinhas durante 5 minutos em água a ferver. Retiram-se as batatas, escorrem-se e transferem-se para um pirex. Num tabuleiro de forno coloca-se o peixe e as batatinhas (pré-cozidas). Gosto de forrar o tabuleiro com papel de alumínio para depois ser fácil de retirar e de lavar. Tempera-se a gosto, usando alho, tomilho, flor de sal e azeite. Leva-se ao forno pré-aquecido a 190º durante uns 20 minutos. Não se deve cozinhar em demasia para ficar suculento. No final junta serve-se tudo com uma boa salada de alface e tomate. Espero que esta receita seja do vosso agrado, também se pode utilizar outro peixe como o pargo, robalo, dorada, etc. não esqueça de deixar um comentário na pagina muito obrigado.